
Título:
O Homem Light. Uma vida sem valores.
Autor: Enrique Rojas
(Gráfica de Coimbra, 1994)
Este livrinho que li já há alguns anos com um sorriso cínico nos lábios tem algumas passagens que parecem não perder actualidade e são um bom pretexto (provocação?) para um debate de ideias. Qualquer dia vou desafiar os
alunos do nono ano para uma discussão sobre esta passagem:
«Ao mesmo tempo foi-se produzindo uma enorme quantidade de
informação, minuciosa e prolixa, que nos chega daqui e de além; porém
essa informação não é formativa, não constrói; não constrói um homem melhor, mais rico interiormente, que aponta para o humanismo e os valores. Antes, ao contrário, vai gerando um indivíduo frio, desconcertado, esmagado por tanta notícia negativa, incapaz de fazer a síntese de tudo o que lhe chega. Entra-se assim, numa forma especial de
massificação, gregarismo: todos dizem o mesmo, os slogans e os lugares comuns passam de boca em boca. Alcança-se assim um topo desolador e terrível:
a socialização da imaturidade que se vai definindo mediante três ingredientes:
desorientação (não saber a que ater-se, andar à deriva)
inversão de valores (como uma nova fórmula de vida, com esquemas descomprometidos) e um
grande vazio espiritual que não comporta, porém, nem tragédia nem apocalipse.
Com as coisas assim,
já quase ninguém crê no futuro. Dissolveu-se a confiança no porvir ante o espectáculo que temos diante de nós.
Já quase não há heroísmos, nem entusiasmosem em que se arrisque a vida. Vemo-nos frente a frente com um homem cada vez mais indiferente e permissivo que perdeu da mira o objectivo e os grandes ideais.» (pp. 94-95).
Temos aqui muita pedra para partir; depois daremos notícias...